Uma Imagem Vale Por Mil Palavras, Mil Caracteres Uma Imagem

rubrica

O peito apertado à mala.
Um rosto quase breve, quase bonito, mas fechado.
Passas tão reverencial quanto altiva, composta, tratada!
Preparaste cuidadosamente o que se segue.
Observam-te os deuses sem rosto.
A entreterem-se com os homens, aceitam apostas altas, de tudo ou nada.
Dão-te a notícia, tiram-te tudo, agora reage…
Por aqui, captam-te como vens, em matiz de cinzentos ou a preto e branco, sem que percebam o jogo.
És uma mulher duplicada, aprisionada em xadrez, só não sabem quanta luz e cor ainda guardas zelosamente na mala.
Os que apostam contra, já não esperam nada, os outros acreditam, ansiosos todos com o desfecho.
Eu, que não faço apostas divinas, aposto a minha humanidade em ti.
Desequilibra, surpreende, incendeia as sombras, agarra em todas as cores que puderes e faz do fim um princípio.
Quando voltar a olhar quero ver verdes esperança, vermelhos sanguíneos, azuis inesperados, amarelos ofuscantes… impregnar a íris de todas as cores que nem sabia existirem.
Quando voltar a olhar já não te vou ver mas quero sentir que continuaste…

<Texto de João Morgado para Fotografia de Paulo Pimenta>