Uma Imagem Vale Por Mil Palavras, Mil Caracteres Uma Imagem

rubrica

Sob o foco instantâneo da luz, à saída da penumbra. Apressada, de lenço branco na cabeça e mala preta a tira colo, segue o percurso focada no destino e deixa para trás o detalhe da viagem. Por entre os extremos de cor do lenço e da mala, surgem os cinzentos. Não é preto, mas também não é branco, tonalidades de brilho alternadas, que iluminam com diferentes intensidades a passagem. Os cinzentos equilibram, não são de extremos. São os intermédios, esse estado de sítio onde não há luz nem escuridão, onde não se sente o calor nem o frio. Sem a luz não há cinzentos, nem brancos, só pretos. O preto da sombra que deixa para trás à medida que avança, que se confunde com o preto iluminado da mala. Há luz na mala preta, na sombra não. Pretos diferentes, brilhantes, baços, envernizados e opacos. Mas todos pretos, sem equilíbrio. E resultam todos da ausência da cor e de luz. Cor e luz dançam conjuntas no caminho, as pupilas adaptam-se, alternando e compensando a escuridão na procura da luz ao fundo do túnel.

<Texto de Ana Filipa Freitas para Fotografia de Paulo Pimenta>