UMA IMAGEM VALE POR MIL PALAVRAS, MIL CARACTERES UMA IMAGEM #20

rubrica

Quarenta anos não se compadecem com a dor. Julieta amarra as lágrimas dentro do seu lenço branco e caminha, caminha… a caminho do nada. Os seus cabelos loiros aos caracóis, que há meses exibia soltos pelos ombros em passos orgulhosamente elegantes, ficam agora presos.
Debaixo do braço prende a sobra dos dias felizes e caminha… continua caminhando.


Dentro do couro negro, balançam os sonhos e as recordações do amor sepultado ali ao lado. Não há coroas nem murais que adocem a morte. Por mais brilho que a tinta da túnica na parede patenteie, o negro impera na sua alma desolada.


De que cor fora o tiro disparado um quarteirão adiante? De que cor o sangue agora preso nas pedras da calçada? Fogo e paixão exalando um último suspiro, unidos para sempre na morte. Fizera a sorte a sua sorte na morte. Esquiva, deixou-a para trás, como se o seu sangue fosse diferente do dele. A cor do cabelo dita a cor da pele? A cor da pele comanda a cor do sangue? Gostaria de ter morrido com ele para provar que nas veias de ambos o sangue tinha a mesma cor. Mas, se tivessem morrido, alguém teria levado uma paleta de cores para os comparar ou limitar-se-iam a defini-los como uma branca de cabelo loiro e um negro de carapinha?


Se nem se aperceberam porque usa lenço branco e mala preta…

<Texto de Goreti Dias para uma Imagem de Paulo Pimenta>