Uma Imagem Vale Por Mil Palavras, Mil Caracteres Uma Imagem

rubrica

Esquecida do mundo, alheia a tudo, caminha pela escuridão silenciosa da noite. Perdida entre pensamentos e afetos, memórias e paixões, alegrias e agruras. Numa noite qualquer, onde solidão e medo lhe perscrutam o olhar, no meio do nada, no meio de tudo. Para onde vai? De onde vem? O que traz consigo ao peito? De que foge, velozmente? Do passado? Ou das memórias de uma vida esquecida ou mal vivida? De um sonho que ficou perdido no tempo?
Pela janela de um espaço qualquer, por entre uma cortina que se abriu, numa cidade fantasma, alguém lhe reconhece o caminhar. A impermanência do tempo, que ironicamente ficou retido numa imagem, através de uma retina ocular. A preto e branco, sem cor, sem vida, parou
simplesmente. Uma memória, uma fugaz memória, de alguém que viveu num passado, numa vida de outrora, num tempo e num espaço que já não mais existem. É a melancolia da vida, onde passado, presente e futuro são efémeros instantes, onde nem tudo aquilo que vemos pode ser definido.

<Texto de Isabel Fraga para Imagem de Paulo Pimenta>