Uma Imagem Vale Mil Palavras, Mil Caracteres Uma Imagem

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De facto, não há nada de novo na vida que vive.

Entre um dia sobranceiro e a noite caída, caminha, quotidianamente…

Não procura desgraças, louvores ou distinções. É mãe, esposa, mulher. Caminha com a determinação de quem quer chegar a casa, sendo chuva ou sol, brilho, ou sombra. Não se importa se um misto penumbral a limita. Não lhe interessa que calvários carrega.

Não tem medo de chorar enquanto caminha…
Sofre…. todos os dias nos seus saltos altos e apertados. Nas roupas castradoras, e no sufoco que representam ao calar de cada grito!!

“AH! Se eu pudesse sentir a minha voz…” – Ecos ribombam dentro de mim ao vê-la passar.

Sente-a mulher! Sente-a!

Não há graça no seu caminho! Mas a desgraça ritmada do seu cambaleio sonâmbulo ganha graça em cada delírio do meu ser.
Faz-me sentir mais pai daquela mulher.

Chora filha! Chora! Ou não chores de todo filha! Não derrames uma lágrima que não te mereça! Despe essas roupas em casa e deixa os cabelos ao vento enquanto olhas o luar!

<Texto de Luzia Peixoto Para Imagem de Paulo Pimenta>