Uma Imagem Vale Mil Palavras, Mil Caracteres Uma Imagem

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Era um fim de tarde frio, mas não chuvoso, 23.11.1963. Dia Fibonacci, algo completamente fora do conhecimento comum neste local retomo.
Na pequena vila, a noite já caíra há muito, em breve o vento dos Urais iria tornar a noite gélida, cinzenta e moribunda. A igreja era antiga, as imagens santas apagadas pelo passar dos anos, onde os ofícios só aconteciam uma vez por semana, aos sábados.
A homilia fora devastadora. A notícia que acabara de ouvir era quase irreal. De repente, de um mundo desconhecido, haviam morto um presidente, aquele mundo civilizado e distante, onde tudo o que acontecia parecia ser maravilhoso, um conto de fadas, para quem vivia com tantas privações. Mataram-no quando passava no seu carro e junto a ele ia a sua bela mulher. Que género humano leva alguém a cometer tão odioso crime! Não saía da sua cabeça a imagem que criara de uma mulher devastada, banhada em lágrimas, a segurar no seu marido assassinado, o sangue ainda quente e molhado, na esperança de um milagre…
Mas a vida continua, era preciso tratar dos afazeres domésticos.
Marido e 3 filhos aguardavam que ela fizesse o jantar e tratasse das lides de casa. A vida neste lugar recôndito não se compadecia de nenhum acontecimento exterior.

<Texto de Débora Fonseca para Imagem de Paulo Pimenta>