Uma Imagem Vale Mil Palavras, Mil Caracteres Uma Imagem

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Todos os dias, à mesma hora,
Já tarde,
Atravessa a viela escura,
Receosa
E com pressa.
Junto à montra sombria
Da loja fantasma
Sempre um ligeiro arrepio.
É inverno. Não se vê nem se escuta vivalma.
Na calçada húmida e suja só ressoam os próprios passos apressados.
Cabeça e pescoço aconchegados,
Protegidos do ar escuro, frio e húmido da noite,
Por um lenço imaculado.

“Não pertenço aqui!”
Grita surda e, escandalosamente,
A brancura do lenço,
Discretamente coadjuvada pela sóbria negritude
Do resto da indumentária.

Sente-se espiada.
Olhos ávidos,
Cobardemente escondidos
Por detrás de cortinas e de orifícios de portas…
Aterra-a a avidez troglodita de alguns vermes.

Acelera,
Enquanto aperta com mais força a bolsa preta
Junto à axila molhada

<Texto de Manuela Teixeira para Foto de Paulo Pimenta>