E Se a Barbie For a Sua Boneca Mais Alternativa?

Reportagem

 

Faltam três dias para continuar a brincar às bonecas a sério. Aliás, três dias para brincar e saber tudo sobre… a boneca! Onde? Na Exponor. 19 de Junho termina o evento organizado pela KiKai, com chancela da Mattel. Um teste depois da pista: Quando falamos em boneca do que é que se lembra imediatamente? É disso que escrevemos neste texto nos próximos 3, 4 minutos.

Seria demasiado fácil não ir a um evento da Barbie. Quando a TKNT se propõe a fazer o lado B das coisas podem surgir dúvidas. Mas quem disse que a Barbie não tem um lado B? Quem disse que Barbie, por entre as produções latino-americanas sistematicamente vendidas com a mesma fórmula pertencentes à Disney – Luna ou Violetta -… quem disse que a Barbie não é o lado B?

barbie

 

Para lá da história que remonta há 57 anos aquando da apresentação de Barbara Millicent Roberts – criada nos EUA, mas inspirada numa boneca alemã – há neste evento a que pode ser fácil ir sem complexos, estórias de carne e osso. Parece frase feita? Então o que dizer da bombeira Ana, dos Voluntários de Leça da Palmeira, cabelo muito curto, criada praticamente no quartel – o pai bombeiro –, colocada bem de frente para um unicórnio e um coche. Princesas são todas! É exactamente aí que coincide o slogan da «Barbie Experience – Tu Podes Ser o Que Quiseres».

A boneca da Mattel – chamem-lhe icónica ou o que quiserem quando vos faltarem adjectivos – foi há anos, para muitas… sobretudo tendo em conta o público generalizado em Portugal, uma boneca inacessível pelo preço. Por exemplo, ainda há quem se lembre da “avó fazer um esforço considerável para comprar uma Barbie Teresa”. Porque a Barbie tem nomes e profissões, para lá das pernas compridas e um dress code formal… simultaneamente chique. A palavra “glamour” fazia sentido e continuará a fazer, desde que bem aplicada. Mas a Barbie muda. Não precisa de fazer twerking e consegue, por felicidade ou bom senso, ter filtros. E tem tem mais formas e uma fórmula: ser o que quiser. Ser o que quiser deixou de ser só para mulheres louras de olhos azuis. A Barbie é muita coisa e tem esse poder da flexibilidade resistindo, por um lado, ao preconceito e, por outro, dando passos seguros no caminho natural da multiculturalidade. telefone barbie

Várias foram as mulheres que à TKNT disseram que enquanto pré-adolescentes não se identificavam com a Barbie pela falta de formas femininas semelhantes ao das meninas reais. Ser o que se quiser é também aceitar-se e disso… disso vive o mundo actual de novos negócios. Os maus e os bons.

Voltemos à Exponor, postas as considerações. Ali os rapazes também se divertem. Esperamos que, para lá de terem o privilégio, se assim o desejarem, de se transformarem em Barbie também, possam – como vimos nos primeiros dias do evento – cuidar de um animal, cantar, desenhar saltar em trampolins para gastar energia. A energia não escolhe cor nem estereotipo. Aliás, foi contra esse estereotipo que estivemos na exposição / evento organizada pela KiKai. O que é que encontrámos? Crianças felizes sem ser o dia da Criança institucionalizado mundialmente. Poderia bastar.

barbie sala

Os pais vêem cada uma das suas fashionistas desfilar por um dia, sem pretensões de toodlers and tiaras… existem computadores, actividades estipuladas e repartidas pelo espaço amplo, cinema e um gelado exclusivo. Uma vez lá dentro, e de pânico como os adultos masculinos a deixarem-se guiar pelos sonhos das filhas, que não podem ser standardizadas… uma vez ali soubemos que a Leonor tem 60 barbies, ouvimos a criação de uma nova Barbie pela imaginação da Sofia – pulseiras, tranças, mais gordinha e tatuagens -, soubemos o que sentiu a avó da Francisca quando viveu três anos em Washington, na saudade dos abraços latinos – e a pensarmos que todos os americanos eram demasiado informais -, ou a Mariana que é veterinária. Mariana que aos 25 anos ainda guarda a Barbie… veterinária.

A Barbie adaptou-se mesmo. Talvez isso seja o crescimento. Sendo uma boneca não lhe colocaremos rugas, mas se ser elegante é um pecado, passar a mensagem de que se pode ser tudo, incluindo uma bombeira como a Ana, tem uma vertente pedagógica simples num mundo, às vezes, demasiado complicado.

Nem todas as minhas amigas tinham uma”, diz Adelaide (a avó da Francisca), que já nos Estados Unidos via uma outra dimensão, numa enorme loucura pela boneca com a quase a mesma idade. E enquanto a neta espera para ser maquilhada e desfilar, o Uriel anda de mão dada com a amiga – têm os dois 6 anos – e acaba por adorar, tal como o Mário, 3 anos mais velho, a Barbie Detective. O policial anda pela Exponor com muitas e inevitáveis fotografias. As de pose, as de orgulho de pais, as do evento.

Eu não gostava nada da Barbie… queria as alternativas. Mas como mãe vejo agora que a Barbie está diferente, não está presa a um estilo”. Maria, extintor na mão e capacete de bombeira orgulhosa, acena sem saber que a Mãe Ana nunca gostou de barbies, mas que está ainda espantada de existir por existir uma Barbie bombeira. Não é só moda nem na moda. Podes ser o que quiseres é a maior das utopias e a melhor das mensagens.

barbie time

A Mattel aceitou o convite da Kikai eventos – entidade organizadora – num ano absolutamente coincidente. Por exemplo: A Barbie foi capa da TIME. José Manuel Costa, Director de Desenvolvimento e Projectos Especiais da KiKai acredita em boas coincidências e, depois de vários anos a trabalhar no Brasil, sabe que a cor que envolve o mundo da boneca mais famosa do mundo é transversal a todos os países. Mais: que Portugal é “tão colorido como qualquer país tropical e que é essa cor que o deve levar à Exponor durante os três dias que faltam da exposição / evento”.

É perfeitamente natural que se ouçam músicas que os seus filhos ouvem habitualmente quando não percebe que letra estão a cantar… sim… talvez aqui o façam num karaoke montado nesta mini feira conceptual; Pode acontecer que lhe peçam mais barbies que o habitual; Pode carregar à saída no botão correspondente ao que achou do evento; Pode ver a boneca à imagem de Katty Xiomara, Elsa Barreto, Micaela Oliveira, Júlio Torcato ou do Joalheiro Eugénio Campos. Pode ver a boneca à sua imagem também. Porque, e se nos permite que o tratemos por tu… excepcionalmente: Podes ser o que quiseres. Sim, em qualquer altura!

<Texto> Nuno F. Santos / <Fotos>D.R. / GoldFashionblog / C de Saudade