Contos d’Avó: os Avós, as Casas Deles e o Resto do Mundo

Outros

 

Surpreendem pela normalidade com que falam de pormenores eróticos ou “picantes”, como lhes chamam e, surpreendem, claro, pela memória de grandes distâncias de tempo que achamos que eles já não têm. São os avós, protagonistas naturais da segunda edição do festival «Contos d’Avó». Não, não é uma dessas receitas em que se usam  “velhinhos” a misturar com o termo “tradição oral” e fica pronto a servir em mais um embalado de gerações. Não. Como também Não é uma plateia de pessoas com mais de 65 anos usada para bater palmas nos programas diurnos da televisão, durante toda a semana. Estes avós batem palmas espontaneamente, abrem as portas das habitações próprias para que contadores profissionais entrem e contem histórias tradicionais e para que, obviamente eles, contem o que sabem. Uma das finalidades: “Quem quer que esteja nos lugares das histórias, sítios privados que se tornam em pequenas comunidades, que se levante e conte também”. Diz Bruno Martins, actor do Teatro da Didascália e um dos elementos da organização do festival. Mas fique tranquilo se não tiver ou não quiser contar o que quer que seja neste «Contos d’Avó» que começou sexta-feira (5 de Setembro de 2014) e onde Carlos Marques e Patrícia Amaral, já na casa do avô Hegino, largaram oralidade entre histórias e lendas, contos e lengalengas que, muitas vezes, podem ter a ver com a região. Qual? Famalicão… Joane, Cête (com o seu mosteiro), atravessando já a Rota do Românico, que este ano se junta à câmara da cidade no apoio ao festival sendo, ao mesmo tempo, uma extensão no programa.

contos

Sessão de Abertura no Parque da Ribeira, em Joane

E quem vai a casa dos avós ouvir e até contar? Vizinhos, familiares e todos aqueles que descobrem que é possível entrar numa casa, não pagar absolutamente nada, saindo de lá com histórias para outros serões. Pois, também os contadores profissionais que tocam os amadores às vezes com a mesma história, contada de forma diferente. Apostamos que, como se ouve dizer há tanto…. Quem conta um conto acrescenta um ponto”… mas olhem que são muitos mais pontos e são de exclamação, porque ainda há coisas que surpreendem. A sério que sim…

<Texto>TKNT
<Foto>D.R.

nota 1: este festival só é possível graças ao trabalho de parceria que o Teatro da Didascália desenvolve junto das instituições de Solidariedade Social, sobretudo, que lidam directamente com as populações mais idosas

nota 2: Muitos dos elementos do Teatro da Didascália já viveram nas chamadas grandes cidades. Encontraram em Joane, segundo Bruno Martins – com quem a TKNT falou – condições, espaço e apoio que não existiram antes nessas cidades.

nota 3: Se quem lê este artigo e estiver interessado em ir ao festival for razoável de tecnologia atente: ao entrar no site pode descarregar programa para encontrar as casas e os locais onde decorre o festival; Se tiver GPS pode consultar a morada no programa; Por último, pode ignorar as notas e vá até onde sabe, pedindo indicações a pessoas reais, porque é delas que o festival vive.