O Mapa de Sandy Kilpatrick tem Joy, Hope e Montanhas de Freedom

Música

 

O texto que se segue foi escrito muito depois de noites dormidas em família e em modos diferentes de viver a família que visitou Sandy Kilpatrick para o ouvir de orgulho. É totalmente imparcial como o jornalismo é – e a TKNT – mas, mais do que isso, é também um equívoco bonito de se escrever à mesma hora em que por engano achava o autor da peça que Sandy tocava em Ponte de Lima (sorriso). É a 18 de Fevereiro.  A primeira fotografia que vêem é a única de concerto e é no Teatro Cinema em Fafe. O resto são pedaços e paisagens da vida de Sandy.

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Em Fafe… no teatro de que mais gosto.

Existe sempre joy nas letras e na alma, soul e freedom, claro. Para quem gosta de ouvir o músicos escocês que navega em Portugal e por todas as terras como se fossem ilhas a que se confina para criar – recentemente esteve mesmo na ilha dos Açores – vai também encaixar bem a melodia e os arranjos sempre em crescendo das músicas do álbum Confessions from the South. Sandy Kilpatrick & The Origins Band relembra – assim foi na Casa das Artes em Novembro passado – o espectáculo de burlesco do Theatro Circo em Braga, a vida em Famalicão, as idas ao Alentejo a ver as estrelas e Ponte de Lima, onde por esta mesma hora a que é escrito o texto estará Sandy a cantar com paisagens em fotografia ou um trabalho de videasta discreto que nos coloca exactamente no sítio onde a sua música nos deve colocar: numa dimensão diferente de espiritualidade com canções concretas e simples sobre temas que, indirectamente, são o que mais importante temos… da liberdade à felicidade sem preconceito. Sem exageros, sem rótulos… parece que a música de Sandy continua a ser uma espécie rara que mistura Country com Gospel… e o Indie agradável que pode ser tocado em qualquer sítio do mundo, seja com a The Origins Band seja a solo numa rua, praia ou monte.

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O álbum é uma colecção de dez músicas que são aquilo que um homem vê da paisagem, de uma ponta do País Portugal à outra. Ou mais ou menos: Sagres, Montalegre, passando por Famalicão e o orgulho de um público que reclama o escocês mais minhoto do mundo. Público dos 6 aos 60 e muito mais com melómanos que não entendem Inglês seguem a melodia e Sandy. A sério, não é metáfora. A primeira música a ser lançada… “The Delphic Oracle”. A homenagem de Sandy a Famalicão, e mais especificamente à Casa das Artes.

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Não há fórmula na música e neste álbum de Sandy… Confessions from the South tem a geografia toda – desculpem a metáfora tonta… mais uma… mas quando escrevo sobre Sandy emociono-me e perco a linha estreita – e começa quase sempre em sussurro para chegar ao céu – se existe é para isso que serve –, depois deitar-se de bem com o mundo a seguir ao refrão no acabar de cada canção. Há sempre músicas para lá do álbum apresentado, gratidão e sorrisos. Sandy está na frente da banda e olha recorrentemente para trás. Não para controlar o que cada um toca, mas sim para estar mais próximo deles (músicos) e crescer com piano, bateria, contrabaixo, guitarras e muitas vozes… muitas menos do que parecem quando a orquestração as faz ficar tão cheias.

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Este texto é pessoal e gostaria de ter sido rigoroso e bastante mais depurado ou completo, profissional até pois claro, mas devo dizer que cheguei a meio da primeira música, parecendo que estava a ouvir uma nova versão de Van Morrison, a intimidade de Cohen e famílias e pessoas que vão ser família, solidões acompanhadas de coisas simples: sopros, cordas e vento.

<Texto>Nuno F, Santos em modo Sandy