«Canções de Lemúria» sob Paixão e Risco

Música

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1 de Outubro. A soprano Marina Pacheco e a pianista Olga Amaro comemoram um ano de espectáculos juntas. Uma festa que só poderia ser em palco e com música, no caso, de um disco chamado  «Canções de Lemúria». Convidaram o actor Pedro Lamares para encenar estas canções e interpretam nas letras originais de Gonçalo M. Tavares, José Luís Peixoto, Paulo José Miranda e Valter Hugo Mãe. É às 21h30 no Teatro Digo Bernardes, em Ponte de Lima. Depois, segue numa pequena digressão pelo Teatro Valadares, em Caminha, pelo Auditório Ilídio Pinho e pela Casa da Música.

As composições são originais de Eduardo Luís Patriarca, Osvaldo Fernandes, Nuno Jacinto e Paulo Ferreira-Lopes e encaixam na forma como Marina e Olga gostam de trabalhar: “Sob paixão e risco”. Tentando apurar a técnica ou a fórmula, percebemos que todos os estereótipos de uma soprano estão colocados de lado. Quais? Pensem numa soprano. Mais: “O tema pode ser pesaroso, mas tem de ter sempre uma frescura e esperança na voz e na forma de o tocar. Ele tem de conseguir passar que todas as convenções estão a ser quebradas”, respeitando as regras, obviamente, da afinação. É o que diz Marina Pacheco mas no que toca às regras do tom, é exactamente daí que vem o máximo risco: “Numa peça do Luís Patriarca a voz está no limite…. no pianíssimo, quase sussurrado, e no final até a última letra da palavra “Deus” se transforma em S de Silêncio ou S de Segredo”. A partir daqui, um jogo…

«Canções de Lemúria» e não de lamúria – já que o título do disco e do espectáculo/concerto pretende jogar com Lemúria, esse suposto continente perdido no Oceano Pacífico, mas que faz muitas pessoas acreditarem  na sua existência em vez de não acreditarem em nada antes naquele mar –  quer, como o duo, abandonar os rótulos de possíveis tristezas e envolver o máximo possível de artes com a música que soa do palco ou do disco.

Sabemos é que tudo tem de estar contextualizado e, neste caso, as coisas também passam por uma manifestação artística que nos leva a outras Lemúrias, que nos leva a embarcar na procura de novos artistas, novos sons e novos públicos, escapando à submersão. Porque isso também pode acontecer se não estivermos atentos. Se lhe (te) parecer que a última comparação já não tem nada a ver com música pode estar enganado. Tudo aqui tem a ver com música.

Uma metáfora num disco de canto e piano com obras portuguesas contemporâneas, pensado há cerca de um ano e agora ao alcance de um público que pode imaginar Lemúria… ou ver Lemúria e suas canções ao vivo.

<Texto>Nuno F. Santos
<Foto>Por Instante

nota: O bilhete para o espetáculo de lançamento em Ponte de Lima custa €7,50. Há também a opção de comprar o bilhete juntamente com o disco por €12,50.