Canguru Voa Pela Kalandraka Salvando Livros

Livros

 

Os livros para sonhar dão asas a quem habitualmente não as tem. É o caso de Adelaide, a canguru, curiosamente inscrita na colecção «livros para sonhar», da Kalandraka. Antes mesmo do Verão, Adelaide ficou numa estante esquecida, enquanto os «10 Patinhos de Borracha» e «A Lagartinha Muito Comilona», de Eric Carle, com o seu novo formato ampliado e de capa lenticular ( imagens impressas que dão a ilusão de movimento) mereciam mais atenção e eram contadas ou até recenseados. Mal reparávamos cá em casa que, à medida que “Adelaide crescia, as asas tornavam-se cada vez maiores e que depressa aprendeu a voar”.

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A Kalandraka continuou a escrever à TKNT e a mandar sempre cada novidade. A juntar ao «Inventário Ilustrado das Árvores», onde aprendemos a identificar aquilo que está à nossa volta com precisão, se necessário for, surge agora o «Inventário dos Animais com Cauda». A cauda existe para alguma coisa… mesmo! O que maiores risos provoca, embora não seja um livro de provocar risos mas antes algum espanto, sobretudo quando olhamos para a preguiça-gigante que existiu até há cerca de dez mil anos e se deslocava lentamente pelo solo sem se agarrar às árvores… o que maiores risos provoca escrevíamos é o castor-europeu que, não sabíamos (corados alguns pais) usa a cauda para recuperar os seus excrementos pretos e moles ou… de forma mais simples, os cocós, porque são uma espécie de suplemento vitamínico. Risota geral e os Bichos misturam-se. Muitas vezes a pergunta: Quem é esse Bicho? Às vezes é melhor ver de perto: é que eles têm riscas, pintas e outros… rodas em vez de pés. São tão diferentes e tão parecidos os bichos que fazem lembrar os nossos amigos com as caras mais engraçadas.cauda silencios que falam

 

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Cartonado como é, o livro de Carmen Queralt só pode ser para abanar e jogar, morder e apontar. Os bichos são descritos numa ou duas palavras e são exactamente como os chamados pré-leitores os desenhariam. Asas com narizes e, sem percebermos entretanto, Adelaide voou da Austrália para Paris e, depois de visitar a cidade e os seus monumentos, tornou-se estrela no mundo do espectáculo, viveu peripécias que só alguém aventureiro poderia viver para encontrar o amor, no final.

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Ser diferente é ser especial, mas se Adelaide estava destinada ao nosso reencontro existe, por sua vez, um livro de Jimmy Liao que deve estar numa tremenda confusão entre pilhas de roupa, material de escritório e programas de televisão em CD. Lá, na assoalhada para onde se despeja até a bota de Tomi Ungerer (que nos inventou Adelaide) disse-nos um rato colorido que ensina a dizer também os números, que a 6 de Outubro a rapariga virou à esquerda e o rapaz à direita, exactamente nesse dia. As coisas, a Ele, “não têm corrido muito bem” e, estamos em crer até que amanhã, 28 de Outubro, vai acabar por “tocar violino num restaurante de luxo para ganhar dinheiro extra”.

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Apesar de um Outono em que parece Verão, o Inverno está para breve e Ela adia a tradução de um romance trágico, passeando na baixa e falando com gatos abandonados. Vamos ver nos próximos dias até onde vão estes «Desencontros», sabendo que nem todas as histórias têm o mesmo final. Certo – desvendamos depois de tanto esquecimento da heroína – é que Adelaide, a canguru, essa, teve muitos filhos.

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<Texto>TKNT… a partir de um livro esquecido e ao encontro de «Desencontros»
<Fotos>DR e Blog Silêncios que Falam