As Avós que Adormecem Terão Sempre um Beijo à Espera?

Livros

 

“Antes de ficar adormecida, a avó cozinhava, lia e contava histórias, até começar a fazer coisas estranhas”. Os avós esquecem algumas coisas, olham para nós de forma diferente. O que fizemos de mal? Provavelmente nada, mas os avós são assim como todos os adultos… mesmo que pareçam crianças como nós. Quando temos uma avó ou um avô somos sempre crianças. O colo está sempre assegurado. Mas quando somos crianças grandes gostamos de cuidar deles. Pode ser por causa da sociedade que aproximou avós e netos. Pode ser por causa da importância de percebermos que os pais dos nossos pais são muito parecidos connosco. Pode ser… por tudo e mais alguma coisa, mas é por isso que existindo muitos livros sobre esses pais dos nossos pais, poucos são realmente especiais. Sem medo dos títulos… sem medo dos sentimentos. «A Avó Adormecida», da Kalandraka, é certamente especial, porque transforma o esquecimento – chamem-lhe Alzheimer, demência, velhice, doença… o que quiserem, é apenas esquecimento às vezes- numa história de embalar, encantada por um príncipe com ar quixotiano que vem buscar a senhora que passava os dias a dormir, esperando-o. “A minha avó dorme/ a minha avó dorme o dia todo / a minha avó dorme o dia todo desde há um mês”. Os avós esquecem coisas mas nunca nos esquecem acredito… e nós nunca esquecemos os avós.

Roberto Parmeggiani (texto)
João Vaz de Carvalho (ilustração)
Ana M. Noronha e Pia Mastrangelo (tradução)

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Já agora. Quantos avós partiram sem o beijo de um príncipe encantado com ar quixotiano? Erika sabe. Não sabe que nome lhe deram. Contudo, sabe que nasceu em 1944 e que foi salva do Holocausto. Ela sabe quantos avós não foram salvos pelo beijo principesco. «A História de Erika» fica assim resumida numa pergunta sobre avós. Porque há esquecimentos diferentes.

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Ruth Vander Zee (texto)
Roberto Innocenti (ilustração)
Alexandre Faria (tradução)

<Texto> Nuno F. Santos lembrando-se da Laetitia, da Filipa Leal, da Carla e do Luís Silva. Também da Maria de Fátima Loureiro. E a lista pode ir crescendo.