Mésseder numa Viagem Colorida ao País Cinzento

Literatura

 

lembro-me

Uma estrutura de palavras simples, referências explicativas a quem tenha entre 17 e pouco mais de vinte anos. Foi com esta estrutura e a pensar nessas idades que João Pedro Mésseder escreveu «Lembro-me». Tinha 18 anos em Abril de 1974 e agora tem memória e o “dever” de contar as suas imagens de fascismo, do Porto ao segundo Festival de Jazz de Cascais. Ana Biscaia transforma o livro numa aventura literária.

Uma dessas imagens é a senhora que João Pedro Mésseder via, em criança, subir uma rua… carregada, transportando às costas sofás e colchões e terminando a sua vida com as costas curvadas. “É a imagem do fascismo e às vezes ele está nas coisas mais simples”, diz Mésseder, acrescentando “sentir estranheza por as escolas e os centros de Saúde fecharem em 2013”, quando o tempo cinzento de que fala, o tempo da ditadura, não tinha hospitais nem escolas… nem passe social. “São atentados” e por isso escreveu este livro, editado pela Lápis de Memórias.

O projecto gráfico é de Ana Biscaia, que, orgulhosamente para o autor, “transformou este livro numa coisa que ele não é: uma aventura gráfica”. Biscaia seleccionou imagens, lembrou o lápis azul, os recortes de jornais, a guerra colonial, a escola e a mocidade portuguesa. Para a ilustradora “este livro é saber não esquecer e compreender um tempo e tudo o que esse tempo conteve”.

«Lembro-me» é uma viagem colorida, mas real, a um tempo cinzento preenchido de pessoas que parecem, na capa e contracapa, cravos vermelhos.

 

<Texto>Nuno F. Santos