«Mamã» da Kalandraka e de Todas as Coisas

Literatura

 

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Sally é a mamá de Mariana. Gisele é a mamãe de Carlos. Dorota é a mama de Karolina. Gertrude é a mutti de Claudia. Rosie é a mummy de Lian. Odete é a mamã de Luís. Muitas línguas, quase sempre o mesmo som. A dificuldade em mostrar amor e admiração pela figura de todos sem cair na coisa fácil. De forma simples, colorida de quente e com o temperamento da Natureza, «Mamã» é, na edição portuguesa da Kalandraka, o livro de Mariana Ruiz Johnson que lembra as mães / mamãs de todas as línguas e culturas. É sempre diferente, claro, e neste livro é todas as coisas e todos os animais, todas as plantas e toda a matéria. Se soubermos que a autora é argentina, podemos provavelmente explicar cores ou a fisionomia desta «Mamã», ilustrada e contada em poucos versos desde a gestação ao parto, do amamentar ao zangar. Mas as mães são universais, e mesmo que Mariana dedique o livro especialmente à sua mãe Sally, são as mamãs do frio e do calor, as da escrita da esquerda para a direita e as da direita para a esquerda, as que contam versos e as que cantam, todas elas são este livro. Porque em todos os países do mundo existe a mesma paleta de cores da América Latina. E mamã… mamã é a primeira de todas as coisas do mundo ainda sem cor. Universalmente, sem pudor,  aqui se confessa amor, aqui se sabe que os filhos nascem sempre de um cordão umbilical e que o leite vem das vacas também. «Mamã», um livro que é um aconchego.

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<Texto>Nuno F. Santos