Estamos Todos a Cantar Enquanto o Mocho Tenta Dormir

Literatura

 

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Se tentar entrar num quarto e ouvir bzzz, bzzz ou crac crac não tenha medo nem se coíba de bater para entrar no jogo também. Com certeza algum adulto deve estar a ler «Boa Noite, Mocho!», de Pat Hutchins, com chancela da Kalandraka editora, quase cantando para que a criança durma. Uma lenga-lenga, uma repetição de frases que resumem a história de um pobre mocho que só quer dormir, enquanto o adulto tenta adormecer alguém. Lá por ser de dia, não quer dizer que não tenha direito ao sono. o Mocho. E ficam a saber as crianças que o Mocho dorme, afinal, de dia, ao contrário de todos os outros. Um livro com páginas que se vão enchendo de animais numa árvore, sobretudo aves, até que anoiteça. E antes que anoiteça no livro que vai, como os ramos da árvore, ganhando peso com tanto barulho de alegria, são as crianças mas também muitos adultos que vão aprender como fazem corvos ou estorninhos.  O Mocho tentava dormir. As abelhas zumbiam, bzzz, bzzz, e o Mocho tentava dormir. O esquilo partia nozes, crac, crac, e o Mocho tentava dormir
E a sorrir acaba o Mocho neste livro, numa tradução de realçar da parte de Carla Maia de Almeida, enquanto o Mocho tentava dormir. É que se é difícil em onomatopeias dizer o que fazem os animais a partir do original, ilustrado e escrito por Pat Hutchins, imaginem a responsabilidade de o traduzir, enquanto o Mocho tentava dormir.
Se ler isto de dia, o Mocho está a tentar dormir. À hora que o publicamos, o Mocho está bem acordado, enquanto nós tentamos dormir. zzzzzzz zzzzzzzz

<Texto>Nuno F. Santos (Mocho com os dois olhos abertos)