Donos de Uma Orquestra e de Um Livro Graças à Kalandraka

Literatura

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“Aquele era um dia muito especial”…

Dizemos a frase ao mesmo tempo que a música… oops (acelerar), desculpem temos de ir atrás do ritmo e chega agora mesmo o bando de aves e o livro… o livro indica-nos 30 segundos de tempo de música, com um texto de José Antonio Abad Varela e as ilustrações de João Vaz de Carvalho.

Começamos a perceber a métrica, respiramos enquanto ouvimos Camille Saint-Saëns e o seu «O Carnaval dos Animais»…

O piano e a marcha, ora aí estão os grandes felinos e depois os violinos e mais violinos… são as alvoraçadas galinhas! Bastam-nos 42 segundos para entrarmos definitivamente n’«O Carnaval dos Animais» como não tínhamos entrado antes: COMO NARRADORES!

“E os velozes, os mais velozes” com um piano rápido, esperem… e se lêssemos primeiro o texto desta página 8 e depois ouvíssemos a música enquanto olhamos os burros selvagens, que na imagem são acompanhados das formigas, das galinhas, e talvez do papa-formigas?

Agora brincamos e percebemos que somos os donos de uma orquestra inteira dentro de um livro. Somos donos da Academy of London e dispomos dela para nosso gáudio ou para contar enquanto tentamos adormecer alguém… mas voltamos, voltamos mesmo depois de acabar o livro. Claro, por que não ouvir de novo The Swan? Já lá vamos. Antes ainda apareceram os animais mais lentos, as tartarugas em moderato de “andar pausado e solene”, e temos dois minutos para contarmos IGUAAALMEEEENTE PAAAAUUUSAAADOS esta GRAAANDE fantasia zoológica, em que Camille Saint-Saëns toma de empréstimo fragmentos musicais de outros compositores e coloca-os numa obra com um contexto diferente do original. O compositor escreveu a obra de catorze breves peças treze dedicadas a diversos animais, estreando numa terça-feira de Carnaval, a 9 de Março de 1886”. E isto não é da wikipédia, está escrito assim mesmo no final do livro, em nota de acompanhamento, como um encore absolutamente necessário.

Os elefantes, os cangurus e os aquáticos “perante o assombro dos presentes”, depois de “uma brisa fresca que atravessou inesperadamente a pradaria, anunciando chuva”. Alto! Já não estávamos habituados aos picos de sons súbitos por entre a calma… são os de longas orelhas a zurrar, mas rapidamente partem, é a vez do cuco “majestoso sobre a multidão, chamando os seus congéneres para a reunião”. Por fim, os restantes pássaros e, antes dos esqueletos e ossos (em que teremos de explicar aos mais pequenos o que são fósseis e eles a despertarem….), irrompem os pianistas músicos da festa, que surpreendem todos até ao maior dos círculos, desenhado em três minutos que não queremos que acabem. O Cisne, negro de diferente, provavelmente o mais conhecido de todos na história, à parte o Rei Leão pois claro. De forma graciosa sossega o menino e a menina, o papá e a mamã, sossega os animais antes da festa com todos em volta do Rei, sentado na sua cadeira vermelha, de olhos fechados e de ligeiro sorriso (apostamos que se ri), ouvindo a música compenetrado.

Dormem os pequenos. Nós, os menos pequenos, voltamos aos temas preferidos da nossa orquestra ilustrada e descrita pela batuta da Kalandraka.

carnaval dos animais II

Nuno F. Santos (um dos mais pequenos)