Uma Imagem Vale Por Mil Palavras / Mil Caracteres uma Imagem #13

 

Era perto das dezassete horas, hora de fecho do cemitério da aldeia. Rosa, Rosinha como lhe chamavam, ia, como habitualmente fazia, visitar a campa do Zé, o defunto marido que perdeu faz seis anos, vítima de “cancaro”, esse maldito que anos antes lhe havia já roubado o único irmão. Desde a morte do Zé que Rosinha fazia o mesmo caminho. Só duas ou três coisas mudaram desde aquele fatídico dia de Nossa Senhora que lhe roubou o primeiro amor: deixou de ir todos os dias, passando a ir só às segundas, quartas e sextas. Deixou o lenço preto que levava a cabeça, trocando-o por um branco, e trocou a hora de abertura do cemitério pela do fecho. Demorava habitualmente cerca de duas horas. Duas horas em que ninguém a via mais do que os cinco minutos que passava em frente à campa do Zé. Naquela tarde, mais uma dessas tardes, foi ver o Zé e depois… cumprimentou Joaquim, com quem desapareceu nas quase duas horas seguintes. Joaquim, o seu segundo amor…

Texto de Nuno Reis para Fotografia de Paulo Pimenta