Poema Útil em Dia Útil #3

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Das garrafas há muito entornadas
saem vapores, enegrecidos,
doces sabores jamais esquecidos,
pequenas histórias nunca apagadas.

Dos líquidos, infindáveis,
jorrou a razão e o sentido,
cresceram realidades, inflamáveis,
ternas carícias de negro vestido.

Quando a si se deposita, devagarinho, 
pensa no que não quer e despreza o carinho.
O seu desejo é um só, estar sozinho,
e da vida só quer o copo cheio de vinho.

Como um bêbedo na madrugada
segue o rasto do que para trás deixou.
Corpo pisado e alma magoada,
ficam-se as sombras do que desleixou.

Olhar invertido, água turva de distância
levando as cinzas dos defuntos.
De abismo em abismo, sem luz nem esperança,
trevas perpétuas, buraco profundo.

Pedro Cave