Rompendo os Muros da Prisão: Documentário Sem Metáfora

Cinema

 

Há um plano onde se lê “Humanizar e Integrar na Comunidade desde 2005”. E uma senhora que se engana no texto no mesmo plano. Esta pode ser a imagem do próprio documentário que passamos a indicar que veja esta quinta-feira, 23 de Novembro, às 21h30  no Mira Fórum… Campanhã… Porto. Aliás, esta pode ser a imagem do que o documentário por si faz, a par de uma peça de teatro com todo o seu processo. Humanizar e Integrar.

O documento tem entrevistados que elogiam naturalmente  o papel do teatro, não só na norma o que dizem, mas o que acontece é que é o filme de cerca de 20 minutos a assumir-se como uma extensão dos momentos e como prolongamento do mar e do ar, das coisas que nos fazem parecer que as prisões reais não são tão presentes de glamour de um bom mau e vilão ou violentas como as dos filmes, telefilmes, séries e demais reportagens sobre a condição humana entre grades. Não são celas? São sim.

A determinada atura as escadas e o corrimão são-nos uma qualquer repartição pública é verdade e nós… estamos embalados com a música e com o exercício de respiração que vai até ao fundo das costas. Santa Cruz do Bispo. As entrevistadas estão num quarto com as fotografias dos adorados. De Fátima aos filhos. Da religião às mães. E é por isso que este documentário de teatro sobre teatro de humanização e inclusão, como o plano onde a senhora – por acaso a encenadora da peça – se engana e se ri para abraçar o homem que diz a fala concentrado, está concebido também ele para ser ouvido. Absolutamente. Podemos fechar os olhos e sabemos exactamente o que se está a passar. Mas aí perdemos uma coisa fulcral apesar da nossa escolha: a liberdade estética de saber com o que é que condiz uma meia e como se arrumam uns poucos metros quadrados para serem decentes à vista de uma câmara com quem se nota intimidade. Rompendo os Muros da Prisão, documentário de Caroline Maia e Luísa Pinto a partir da peça O Filho Pródigo… apresentado e representado em Maio passado, precisamente no Mira Fórum.

P.S. Atentem no suspiro à entrada do Mira Fórum entre cabides e uma garrafa de água

P.S. II A idade e a liberdade nunca são de mais para uma experiência afectiva

P.S. III O Preto e Branco uniformiza a igualdade sem paternalismos

<Texto sem tentativas de spoiler> Nuno F. Santos