Queremos Viver «A Vida Secreta de Walter Mitty»

Cinema

 

mitty

Muitos de nós já sonhámos com a possibilidade de voar, salvar animaizinhos de explosões e assim conseguir conquistar o coração daquela pessoa especial que já tomou o nosso. Muitos de nós já imaginámos a possibilidade de, elegantemente, deixarmos desconfortáveis aqueles que teimam em nos desconfortar, ou até mesmo de darmos uma sova digna de um super-herói àqueles que nos magoam o ego. Walter (Ben Stiller que, para lá de ser protagonista é também o realizador) é como muitos de nós. Usa a imaginação para combater a pandémica e metropolitana monotonia… que muitos de nós também padecemos.

«A Vida Secreta de Walter Mitty» é tecnicamente muito bom mas, apesar desse facto poder ser a razão pela qual facilmente criamos empatia com Walter logo no primeiro minuto, não é disso que vos vou falar. Falo-vos antes do que eu trouxe da sala de cinema e do bem que me fez ir vê-lo.

Depois de algumas fintas e faltas na história – a partir do conto de James Thurber com o mesmo título -, Walter acaba por arriscar e embarcar numa aventura que o leva não só a encontrar quem procurava, mas também a encontrar-se e a reencontrar-se.

Obviamente que a mensagem que o filme pretende passar não é a de que devemos todos largar tudo e mandarmo-nos para lugares lindos e inóspitos (a não ser que esse item faça parte da nossa bucket list). Em vez disso, tenta transmitir-nos que o facto de vivermos (ou não) a vida que queremos, muitas vezes depende das decisões que adiamos, das coisas que não fazemos por medo, do que não dizemos por vergonha. Resumindo: daquilo que não vivemos. Como até mesmo nos filmes nem sempre a viagem é fácil e, não raras vezes, o fim não é propriamente feliz, devemos assumir essas consequências quando formos em frente. A ideia é darmo-nos uma oportunidade. Até somos uma pessoa importante na nossa vida; somos a única pessoa com a qual iremos passar TODOS os dias dessa nossa vida. Portanto… o risco compensa! Se no final as coisas não correrem assim tão bem como planeámos, resta-nos o sentimento de dever cumprido. Pelo menos tentámos e ficámos com uma história para contar.

O filme não é uma pessoa, se fosse, podia dizer que me tinha apaixonado por Walter. Vê-lo reconforta-nos, dá-nos uma sensação de segurança e tranquilidade, como se alguém nos sussurrasse ao ouvido: “Vai ficar tudo bem.”. É uma espécie de abraço ou cafuné prolongado, com salpicos de humor e amor bem doseados. Esperei um ano inteiro para ver o que para mim foi o filme do ano em 2013. Mas a espera valeu bem a pena.

Façam como o Walter: Sejam. Vivam.

ben stiller

<Texto>Elsa dos Santos

nota tknt: a autora deste texto deixou a engenharia civil para filmar… e viver de filmar. Uma espécie de Mitty na viagem ao mundo da rainha má austeridade. Por isso, este artigo só poderia, felizmente, ser parcial.