TRIATRO: Em Valença é o Povo quem Mais Ordena

Artes Performativas

 

 

valença

Da estação de comboios as portas da fortaleza de Valença há gigantones recicláveis num andor que, de peso, tem apenas a história de um rei e suas duas filhas perante a iminência de um casamento. Contrasta é o nome da princesa mais velha e Tude a mais nova irmã de uma lenda com mouros em guerra por amor e o povo que dá música, num desfile cheio de Minho sem pudor. Haverá lá pudor por quê, senhores e senhoras, caríssimos espectadores estupefactos? Como o próprio tributo ao território que as Comédias do Minho mostram em recentes espectáculos de uma mesma série do referido tributo, este vale de cinco municípios tem Chuva mas é sol e calor também; tem lobos e o seu Uivo mas tem mais metáfora da extinção do que medo; tem a força do matriarcado em Volta e também se faz de homens; e terá um Chão que se apresenta como construção artística da paisagem, contrariamente ao verde só porque é verde ou ao micro clima só porque ali se predestinou assim mesmo. Pois é, o Minho é uma terra de especificidades mas de contrastes também, e de Contrasta que não quer casar com o mouro pretendente.

valença 2

Ao longo de uma noite de palco iluminada por um verão, ora ele de contrastes também, saiba que estes baratíssimos autores e actores vos proporcionam hoje mesmo um espectáculo apresentado por arautos e donzelas, em narrativa com muito texto de uma lenda com modernices aldrabices. Quer dizer, como diz a certa altura o arauto: “o que seria da vida sem uma aldrabice?” Por modernice, entenda-se a crítica mordaz da actualidade. Ou não fosse o teatro esse palco de excelência à ironia. Contudo, espectadores estupefactos, este auto de fé popular intitulado TRIATRO, dirigido por Rui Mendonça, que colabora ainda com Jorge Palinhos na dramaturgia desta tragédia que não vai deixar ninguém sem rir… este TRIATRO é então do povo, para o povo e tem todo o povo de Valença num palco ou à volta. Os pretendentes a casar com Contrasta, grande parte, são reais tal como os seus feitos heróicos. Se vos dissermos que há judo com praticantes de Arão, reis cristãos e mouros pinga-amor de Verdoejo, a terra de motorizadas de pau; se vos repetirmos isto e que não faltarão ranchos como o Folclórico e Cultural de S. Julião ou bombos com os Amigos de Bombino, resta apenas que entrem na festa e que escolham as respostas certas quando enfrentarem um concurso de televisão. Mais. Que atentem na história ilustrada por detrás do palco de actores e de um hino próprio com a Escola Musical São Pedro Torre. É isto um auto popular, que ainda agora traz umas senhoras da missa a correr para as cortinas de São Francisco. E, sobretudo, que confiem neste elenco sem que precisem de recorrer à calculadora. Com eles nas ruas e nos palcos de Valença até os comemos !!!!


Nota Importante: Toda e qualquer semelhança com o quotidiano ou casos reais não passa disso mesmo e, esta peça, está contra-indicada a carrancudos que acham que o povo não manda ou não veste a preceito, que acham que sangue e humor não enchem a barriga. Espectadores e leitores estupefactos: que comece o TRIATRO … As 21h30 numa apresentação única nas Portas do Sol da Fortaleza de Valença. Se a missa estiver em primeiro, façam como as senhoras que ainda agora passam por aqui a dizer: “Primeiro o Senhor depois o tambor”. Mas passem e ouçam os arautos.

<Texto>Nuno F. Santos

FICHA TÉCNICA

DIREÇÃO Rui Mendonça
APOIO DRAMATÚRGICO Jorge Palinhos
GUIÃO Jorge Palinhos e Rui Mendonça
ILUSTRAÇÃO Patrício Brito
CENOGRAFIA E ADEREÇOS Rita Nicolau
COMPOSIÇÃO DO HINO José Paulo Ribeira
DESENHO DE LUZ Vasco Ferreira
INTERPRETAÇÃO Verde Vejo – Grupo de Teatro da Ass. Cultural de Verdoejo 
Augusta Salvador, Beatriz Gomes, Catarina Domingues, Conceição Torres, Eugénia Esteves, Gonçalo Ponte, Julieta Borges, Manuel Esteves, Mariana Lopes, Miguel Mendes, Paula Ponte, Rita Nicolau, Tomás Sousa e Francisca Domingues, Manuel Petiz

PARTICIPAÇÃO 
Entre Cordas e Vozes
Maria João Domingues, António Teles, Afonso Veríssimo 
Associação Musical Banda Sucesso – Amigos do Bombinho
Ângelo Silva, Carlos Pereira, Carlos Manuel Moreira, Carlos Moreira, Elisete Alpoim, Filipa Rocha, Gabriela Alpoim, Henrique Pereira, Hugo Ferreira, João Fernandes, João Martins, Joaquim Moreira, Joel Rodrigues, José Carlos Silva, José Manuel Silva, Luís Moreira, Manuel Moura, Márcia Fernandes, Margarida Moura, Marisa Moura, Mikael Alves, Paula Fernandes, Paulo Fernandes, Paulo Sérgio Fernandes, Ricardo Barbosa, Rodrigo Ferreira, Ronaldo Barbosa, Rui Moreira, Sérgio Rocha, Tiago Leça
Rancho Folclórico e Cultural de S. Julião
Álvaro Sousa, Ana Cerqueira, André Carvalho, Andreia Gonçalves, Andreia Rodrigues, Carla Gonçalves, Carminda Dantas, Cátia Carvalho, Deolinda Carvalho, Dorinda Dantas, Eduardo Gonçalves, Filipa Esteves, Francisco, Jéssica Sousa, João Carlos Sousa, João José Sousa, José Luís Sousa, José Manuel, Judith Sousa, Luís Pereira, Manuel Cerqueira, Marcília Gonçalves, Maria Gonçalves, Maria do Céu Rodrigues, Maria do Céu Barros, Maria Emília Oliveira, Maria Teresa Rodrigues, Ricardo Carvalho, Salvador Fernandes, Vergílio Oliveira, Vítor Carvalho
Escola Musical de S. Pedro da Torre
Adriana Vaz, Ana Ferreira, André Teixeira, António Fernandes, António Costa, Beatriz Lopes, Bruno B. Sousa, Bruno Costa, Catarina Vaz, Daniela Pinto, Diana Martins, Diana Brito, Diana Neiva, Diogo Cunha, Fátima Rodrigues, Helena Pereira, Hugo Nascimento, Inês Brandão, Isabel Pereira, Joana Rodrigues, Joana Rego, João Costa, José Fernandes, José Fernando F., Kátia Costa, Luís Ferreira, Luísa Oliveira, Maria do Céu Ferreira, Maria Inês Costa, Marco Ferreira