A Trans/missão Está a Passar por Aqui: Mira Forum

Artes Performativas

 

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Um é mesmo músico e outro é mesmo dramaturgo. E depois? Dar-lhes-á tal formação o direito de fazerem uma revolução? Não sei, mas sei que estive na penúltima fila do pequeno auditório do Rivoli a ver os bastidores de um processo de criação que iria rebentar com tudo! Iria, por quê? Não Foi? Já mais parece uma piada dos que nos atendem nos balcões dos cafés.

Digo: “Queria um copo de água e uma revolução por favor”. E a ouvirmos em segundos: “Queria?! Por quê, já não quer?” No fundo… no fundo isto não é metáfora para nada, mas serve essa pergunta de tanta carga filosófica e urgente… e por que não fazemos mais revoluções? Provavelmente porque, como na sátira do Visões Úteis, Carlos Costa (o dramaturgo) e João Martins (o músico) perdem-se em fórmulas e desacertam do que realmente importa. Um processo criativo aberto ao público onde tudo passa a ser uma questão e em que até o próprio povo, que serve sempre as revoluções, é instrumentalizado. Arre caramba que estes tipos são doidos! Mostrar isso mesmo à frente do mesmo povo e dos colaboradores e parceiros da revolução  – desde o Teatro Municipal do Porto ao NEFUP, Sonoscopia, Porta-Jazz, Ensemble Super Moderne, à fotografia do Paulo Pimenta e fotógrafos convidados pelo Mira Fórum até ao Departamento de Sociologia da Faculdade de Letras da Universidade do Porto – é de grande transparência e perigo. Sim, mesmo que existam matracas e explosivos em palco.

Mas, atravessando a peça de forma mais séria, porque o Visões dramatiza o tema da revolução quotidiana como serviço público, porque não anda a brincar às revoluções (não é ironia), vou deixando a partir daqui impressões e excertos que já não sei se são da peça ou interpretações minhas. Começo por dizer que o Visões, escrevo “o”porque Visões Úteis é um colectivo. Depois, escrever claramente que aqui na TKNT quero que se foda o acordo ortográfico. Foi só um pormenor. Como gosto do trabalho deles vou ser parcial… ligeiramente. Ainda estarão para me dizer onde há jornalismo imparcial (sorriso sem LOL.. sorriso verdadeiro mesmo). Explicando o meu processo: agarrar os leitores com qualquer coisa engraçada ou diferente e, depois, dar a informação. Despertar a curiosidade a determinada altura e escrever sem filtros. Compasso de espera… ai o futebolês que me sai!
(Pausa)
Então mas se assim for não estou a fazer aquilo que todos fazem? Aqueles que critico e aos quais a TKNT quer ser alternativa? Cá está, “não vivemos as nossas vidas, seguimos apenas o guião”.

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Tudo em Trans/Missão é em tempo real: o libreto e o dramaturgo no palco referindo que vai ao encontro de pessoas para uma revolução em processo “colaborativo”.
Nesse processo (não é Kafka mas há muito processo e revolução por aqui… estarão ligados?) parece ser consensual a imagem de um homem à janela. Mas, de repente, ele conta-nos uma fala do narrador: “a luta não anda nas varandas”. MAIS. “O protagonista estuda casos de como se forma uma espécie de revolução”. Para clarificar… uma criança. Nada melhor. Mesmo. As crianças não são o melhor do mundo apenas… na peça são a consciência mais prática da mudança.
“Quando eu crescer vou lá à frente de megafone e ninguém vai para casa sem mudar nada”. Isto é o que diz a criança.. também em palco. E não é que eu deixo de ser jornalista, ajornalístico, crítico, acrítico e tudo o resto para levar um soco no estômago! Quantas vezes saí à rua e vim para casa sem nada mudado, com tudo na mesma, como se fosse um acto social de fato macaco para a ocasião?

João Martins é um monstro… no bom sentido… um monstro revolucionário. Tanto é o papá da Associação de Pais da escola dos filhos como é o que quer que os livros sejam derrubados e que tudo tenha mesmo de explodir. Será que existe um equilíbrio entre a forma estratégica (o actor Carlos Costa equilibrado) de fazer uma revolução e a outra, a intuitiva apenas com uma missão ou um fim?

Jazz! “Pedaços de vida Linux”, merda para a meditação e boa onda. Citando bastante José Gil.
“Um poeta deveria saber liderar um pelotão de ataque”. “Ou de choque?”. É frase de Hồ Chí Minh: a metáfora poética ou literal da revolução?

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O que é que vais fazer a este espectáculo? Esta sexta, dia 26, às 21h30 no Mira Forum. E depois a Setúbal? Vais rebentar com tudo, colaborar, contestar? E eu? Que fui eu lá fazer se não ficar mais inquieto sobre o que é melhor ser eu? Um revolucionário ou reformista?
E este texto é o quê? Que grande confusão. É sobre a revolução e os bastidores, é sobre o sarcasmo e estarmos fartos de não mudar nada. Vejam as sondagens. Já nem é uma questão política. É uma questão de cidadania. Sei lá
Pronto, não revejo anda do texto vai assim. Vão lá fazer uma revolução com o Visões ou com as Visões ou com quem quiserem mas… mas vão ao Mira Forum porque eu gosto deles e a TKNT é deles também. Ou então vão à praia que dizem os meteorologistas que vem calor. Vocês sabem as vossas prioridades. Nunca vivam abaixo delas, como se eu pudesse dar conselhos e fosse alguém. Nunca vivam abaixo das vossas prioridades.

Nuno F. Santos (até o F é marketing)

Local: Mira Forum

Rua de Miraflor, nº155 (Campanhã)
Data: 26 de junho (sexta)
Horário: 21h00