Teatro Ensaio Sem Medo de Voltar ao Mato

Artes Performativas

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A história do Alferes Isidro que nos leva ao seu último dia de guerra em Moçambique… nessa Guerra Colonial de que tanto se fala mas, paradoxalmente, parece um fantasma de tão pouco se aprofundar.  Mato e mundo dentro no palco do Auditório da Quinta da Caverneira, em Águas Santas (Maia) , numa encenação de Pedro Estorninho, onde o Alferes Isidro e o Sargento João contam histórias de guerra que são as histórias de muitos ex-combatentes (Entre Portugal, Moçambique, Angola ou Guiné-Bissau) e são também as histórias de Jaime Froufe de Andrade, o jornalista que um dia quis ser filósofo e conheceu na Guerra “o Mal Português”. A partir do livro “Não Sabes Como Vais Morrer” escutam-se os sentidos e até sensações estranhas. Sim… escutam-se no texto: o medo do nada no meio do capim ou da selva; o cheiro a morte; a euforia da sobrevivência. Para o Teatro Ensaio e para Pedro Estorninho esta peça” traduz o sentido de justiça sobre um tema, sobre uma época e sobre todos os jovens a quem um tempo foi negado”.

Integrado no paradigma abordado nos últimos tempos pelo Teatro Ensaio… «História recente e espaços de Migração», a guerra colonial em palco com «Estórias do Mato» “não é um espectáculo para que as pessoas gostem dele, é sim para que as pessoas falem dele”, vai reforçando Pedro Estorninho, o encenador.

Para Jaime Froufe de Andrade, o autor do livro a partir do qual estas Estórias do Mato se desfiam e esfumam por entre o maço de tabaco que dois actores fumam em cena (Paulo Oliveira e Pedro Roquette fumam dez cigarros por espectáculo) “o futuro da Guerra Colonial é agora”. Mais: “Não posso estar  à espera de outro tempo para falar daquela Guerra”. Froufe continua em guerra e o Teatro Ensaio também. A hora e dez minutos que nos enfiam estômago dentro é prova dessa guerra… contra o esquecimento. De 28 a 30 de Junho, sempre às 21h30.

 

Nuno F. Santos (Texto) / Foto (Pedro Teixeira)