«Bácoro» a partir de uma lavandaria para o Teca

Artes Performativas

 

Começou há 5 minutos a lavagem. De roupa suja. Cinco euros e meio lavar e secar. Para mim, claro, que já fiz na Quebra-Gelo um filme mudo para o Metro do Porto. A menina mais nova e única está a lançar sapos numa das mesas da lavandaria com jogos de tabuleiro e e entretanto, claro, lá se vai a pedagogia… já está com o iPhone a jogar qualquer coisa da Disney que levemente é uma praga de babysitting. O Ricardo canta o genérico do Steven Universe e conhece a voz que dobra o Titio Avô. Ricardo Alves… encenador de um Bácoro (percebo Baco inicialmente) e ele: “Não não, Bácoro, de porco!”.
Eu sei Ricardo… já andei a fugir da matança deles.

Temos crianças de idades aproximadas à volta.

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Acelera a máquina e ligeiro barulho… antes de «Bácoro» falamos dos actores da Palmilha Dentada de quem é impossível ser imparcial e do Raul que é o Titio Avô – ele mesmo –  e de um novo projecto de teatro deste Ricardo que não é o primeiro ( I )segundo (II) ou terceiro (III) dos clássicos mas um único de entre muitos. E é bom. Desdobra-se em projectos culturais mas concretiza -os. Tem maior parte das vezes com ele o Ivo, o Rodrigo, o Nuno…  Tem as “Marionetas Vadias” e faz com elas tertúlias mensais aplicadas à arte do boneco pois. A última foi no café Ceuta. Fala-se de manipular marionetas, tocam-se e lá vem o «Bácoro» com uma data distante ainda e com a escultora, a vila, um saltimbanco o porco marioneta. Mais. Duas velhas, dois velhos e duas crianças. Fala-se de tudo sempre.
Ricardo Alves: “não sei fazer a coisa de outra forma”. Fala de Salazar, de violência doméstica e está no Teca (Teatro Carlos Alberto) a 29 de Setembro. Espera. É hoje! Três semanas em cena.

E agora, «Bácoro» a partir de do site www.tnsj.pt ou a descrição em forma de sinopses:

Homens e porcos: uma história feita de amor e violência, triunfos e matanças, metáforas antitotalitárias e bifanas, mas também de uma curiosa descoberta científica, que revelou a existência de similitudes genéticas entre as duas espécies animais. Bácoro – a segunda coprodução do Teatro da Palmilha Dentada com o TNSJ, depois do já longínquo A Cidade dos Que Partem (2009) – brinca com algumas destas referências e acrescenta um capítulo a esta saga milenar. Começa com a candura de uma fábula infantil – a chegada de um saltimbanco a uma aldeia, na companhia de um porco amestrado –, mas depressa nos conduz para um lugar mais escuro, perigoso, claustrofóbico. Bácoro resulta de uma parceria do dramaturgo e encenador Ricardo Alves com a artista plástica e cenógrafa Sandra Neves, cujos desenhos e esculturas foram o ponto de partida desta criação que agora se estreia no Teatro Carlos Alberto. Em palco, os atores Ivo Bastos, Nuno Preto e Rui Oliveira contracenam com marionetas, dando corpo a uma espécie de alegoria suína sobre as dores e as alegrias de sermos humanos.

<Texto>Preguiçosamente Nuno F. Santos com roupa lavada